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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Vícios e Saudosismo

Escrever sobre escrever é constante entre todos aqueles que escrevem. Pois que metalinguagem é só o que se tem quando não se tem mais nada. Tentamos ser extraordinários a todo momento, continuamos com nossa mediocridade. Um sujeito diria que o poeta é um fingidor, não concordo. Eu digo que o poeta é um verdadeirista, que tudo aquilo que escreve se torna realidade.

Havia uma obra de arte extraordinária na parede daquele museu, daquela sala de exposições, daquela sala de jantar, da rua mesmo. Oras, e não seria mesmo um rabisco de giz no asfalto, delimitador de quadrados de uma singela brincadeira infantil, também obra de arte? Seja como seja, como for ou como se perceba, havia em algum lugar qualquer uma obra de arte. Extraordinária ela, nunca tocada, friccionada, devastada ou deturpada. As obras de arte que permaneçam em seu lugar de direito.

Houve sempre, em outros momentos, outras obras de arte. Outros escreveres também. E é disso que falamos a todo o tempo, e sobre isso escrevemos. Assim, há sempre esse vício, e que nunca se envolvam os atores com seus objetos de desejo. Somos viciados em nos viciar, não podemos abandonar o vício anterior até que o próximo tome o lugar daquele. Alguns vícios duram eternidades e permanecem sempre. Sou viciado em me viciar em obras de arte.

Sou também viciado em sentir saudades. Sobre tudo aquilo que se perde e se ganha a todo momento. Sobre não conseguir mais escrever, e precisar inventar um objeto de desejo para tal ensejo. Saudades é o meu nome do meio. Saudades de escrever e de algumas obras de arte. Assim, de alguma forma, essas coisas estão intimamente interligadas. Não somos criaturas mais extraordinárias apenas por sentirmos saudades demais, e termos vícios demais. O passado prende.

No fim, parece confusão essa profusão de assuntos. Não escrever, obras de arte, vícios e as saudades. Oras, no fim, todos os assuntos são um só.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

O Apocalipse Nosso de Cada Dia

Criar é a essência da própria existência. Destrinchar das sombras do ostracismo tudo aquilo que ainda não viu a luz da vivência. Todas as fotografias, filmes, pinturas, literaturas, esculturas e músicas que apenas não existem porque não foram ainda criadas. E quem está esperando para ser o criador de tais coisas deve apenas começar. Pois que dizem que aliando-se o infinito à teoria do caos à Lei de Murphy, tudo um dia acontecerá de uma forma ou de outra.

Ele era um aventureiro, daqueles sobre os quais as histórias são contadas, daqueles que vivem de adeus. Trilhava caminhos absurdos, inventava, criava seus próprios caminhos. Se aventurava por realidades e surrealidades épicas. Despendia esforços para conseguir toda a glória de que precisava para continuar no circuito. Muitas vezes, esses são os personagens que ficam para o futuro, esse tempo que não existe, e que tanto tentamos alcançar, norte dos nossos planos. É lá que eles serão lembrados, como criaturas que outrora produziram. Saibamos que we are bond to glory.

Também é preciso lembrar que nunca devemos nos esquecer que as despedidas eram mais sinceras antes da internet, antes de termos contato com o outro lado do mundo, e de termos o mundo em nossas mãos. Houve um tempo em que o para sempre não acabava. Hoje, qualquer coisa é motivo para adeus, e aventureiros vivem de tanto mais quanto os tchaus podem proporcionar. E nossos talentos são prever esse tipo de final.

Mas, por outro lado, não se acham mais tantos aventureiros.. Os adeus atualmente ficam reservados para os momentos de desespero. Há uma constante ausência de glória, e ninguém mais quer ser herói. E qual o critério que resta para ficar para o futuro? Aparentemente, só agora percebemos que é isso que fazemos a todo o tempo, a cada sístole e diástole, simplesmente sobrevivendo, se aventurando em nossa própria respiração. Enfrentando o apocalipse nosso de cada dia.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Personagens

Creio que Bukowski adorava gatos. E frequentar essas rodas de poker é como ir aos páreos de cavalo. Dizem que dá pra ganhar muito dinheiro por lá mesmo sem jogar, com determinada habilidade. Mas é determinante uma relativa preguiça dessa obrigação monetária.

Ninguém nunca morreu de opinião, essa doença tão frequentemente transmissível. Certa vez falaram que essas personagens não têm vida. Oras, isso se dá pelo fato delas não serem reais, não podem mesmo ter vida, isto está reservado para as criaturas que usam oxigênio de alguma forma. Não vejo motivos para passar dos 40 anos de idade. Passar tanto tempo gastando oxigênio. Essas parcas personagens sem vida viverão muito mais do que nós.

Há ainda aqueles que levantam bandeiras, por Bukowski ou pela causa dos gatos. Oras, os gatos podem se virar sozinhos, só precisam mesmo de alguma coisa pra matar de vez em quando. Para levantar uma bandeira, a pessoa deve também aprender o hino, defender o brasão, cumprir com todos os deveres cívicos enfim. Mas as vezes algumas bandeiras são necessárias, ou podemos simplesmente nos esconder atrás delas, o que é suficientemente cômodo.

Poderíamos debater o dia todo sobre árvores que crescem no concreto, os oásis dos tempos modernos, urbanidades tão vívidas. E como fazem elas com essa escassez de oxigênio? Oras, elas mesmas o fazem. Todo mundo já desejou fazer fotossíntese. Elas levantam as próprias bandeiras, sem se preocupar com quanto tempo viverão.

Poderíamos jogar poker valendo cavalos. Poderíamos ter gatos e bandeiras, bandeiras com gatos. Poderíamos consumir todo o oxigênio que nos for permitido e convencionado. Pois a própria respiração é mera convenção. Criando nossas próprias personagens e levantando as bandeiras delas. Pois que essas coisas sem vida não podem nem mesmo respirar sozinhas.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Sobre atear fogo ao céu

Ela tinha nas faces fogosas uma sinceridade quase canina. Nos olhos uma chama constante, e todo mundo gosta de olhos em chamas, são sempre mais vívidos e intensos que os regulares.

Costumava dizer que não gostava de quem não faz barulho. "São as pessoas mais monótonas", dizia, e arrematava com uns xingamentos menos propícios, e aquela chama aquiescente nos olhos dela ficava ainda mais intensa. Por vezes arrumava uma confusão só pelo prazer de incendiar. As pessoas mais certas são as que veem o circo pegando fogo de dentro dele.

Outra certeza que tinha era o fato de não querer protelar muito, velas finas queimam mais rápido, e deixam menos sujeira. Sabia que ninguém faz seu destino sentado no sofá da sala, aquele que um dia falaram ser excitante, sabia também que o princípio da incerteza dizia que sua única certeza era a dúvida. Por isso, já não tinha certeza de mais nada, odiava ainda mais as pessoas certas de si.

Um dia, ela procurava companhia, anti-matéria para sua matéria. E a junção de dois caos só pode ser algo ainda mais destrutivo, pois que o que há de bom é progressão aritmética, e terror é progressão geométrica. Amplificado o caos, a chama ardia ainda mais intensa.

Combustão, fagulhas, chamas, queimaduras, incêndio, labaredas. Eram tudo isso e um pouco mais, em maior ou menor grau. Até se extinguir.

Pois foi tanto assim que ela deixou de procrastinar o destino supremo, bênção dos homens, aquilo para quê todas as pessoas nascem. Companhia ficou, visto que a nem todos os lugares se pode ir acompanhado, visto que alguns caos acabam por minguar conforme a sombra dos tempos aumenta, e a eternidade se põe no horizonte.

Porém, há coisas que devem ser eternas, mesmo que não sejam. Pois que tudo que existe por algum tempo, deve ser eterno naquele tempo em que existiu. Assim, passado mais algum período, agitaram a combustão uma vez mais onde quer que fosse. E reencontraram-se, e naquele instante atearam fogo até mesmo aos céus.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O Polacão dos Anéis

Três anéis pros polaco véio sob este céu 
Sete pros presidente de associação nos seus rochosos corredores 
Nove pros vereador fadados a morrer 
Um pro senhor prefeito em seu trono escuro 
Na terra de Araucária, onde as sombras deitam 


Heitor é descendente de um humano fraco, que teve a oportunidade de acabar com o mal de uma vez por todas, mas hesitou para obter controle sobre as terras da batata. Mas o anel tem vontade própria, e operários bêbados com sotaques ininteligíveis andavam nas ruas entre os puteiros, e assaltaram e acabaram com a vida desse ganancioso humano que governava as araucárias.
Assim, o anel ficou adormecido por muitos séculos, até que foi encontrado pela criatura Cristianomeágol-Gollum, que tomou posse dele temporariamente, até que o hobbit Zazá Bolseiro entrou em seu caminho. Zazá era conceituado em sua terra, e por muito tempo teve sua juventude guardada pelo anel. Que irônico! O anel de poder cair nas mãos de um simples e pacífico zazá.

A Terra das Batatas
Um dia, Zazá faz uma viagem e deixa o anel como herança para o jovem Cleverson, que sob a tutela do mago Pedro o Cinza, inicia uma jornada épica na companhia dos outros hobbits de Guajuvira: Jhonny, Everson e Sérgio.

Em seu periculoso caminho eles conhecem Heitor, que anda sob a alcunha de Passolento, mas na verdade é o rei sem trono das terras do sul. Ao chegar à Contenda, terra sagrada dos polaco véio, uma sociedade se forma, para destruir o anel.

Heitor, rei sem trono; o mago Pedro, o Cinza; Heitorzinho representante dos polacos de vida longa, habilidoso com seus olhos e de longas madeixas lisas; o bárbaro anão Alexandre, poderoso e forte com armas pesadas; o humano do reino do sul Nicolas, herdeiro dos regentes; e os quatro de Guajuvira, Cleverson Bolseiro; Jhonny Gamgi; Everson Tûk e Sérgio Brandebuque.

Mal sabiam eles que os nove poetas negros, sob a liderança daquele que já foi humano e se corrompeu, Erne chefe dos Nazgul, estavam em seu encalço a serviço de Rízio, antigo opressor que precisa recuperar o anel para voltar a oprimir toda a polacaiada. Enquanto isso, uma nova raça de pirralhos noiadinhos de 14 anos era criada nas masmorras do Tupy por Hissam o Branco, outrora chefe da ordem dos magos, que se uniu ao poderoso Rízio para reviver o poder do anel.

Após sofrerem perigos sem conta, os nove atravessam as minas da Petrobrás, antigos palácios dos anões, agora habitados por baianos. Quando os aventureiros estão próximos de escapar das minas, surge um último e poderoso inimigo, vindo das profundezas dos tempos, é o Balrog Dimar, e Pedro o Cinza cai nessa batalha.

Unindo forças e superando a perda, eles seguem seu caminho, até chegarem às terras da Rainha élfica Lelydriel, poderosa e temida com seus dreads. E ao saírem de lá a sociedade se desfaz para sempre, pois o guerreiro Nicolas não consegue se controlar e tenta tomar o anel de Cleverson, que resiste e foge rumo a Mordor, fortaleza de Rízio, tendo como única companhia o fiel escudeiro Jhonny. Os noiadinhos de Hissam sequestram os outros dois hobbits, e os bravos Heitor, Heitorzinho e Alexandre seguem em seu encalço. Nicolas cai nessa batalha, e agora jaz no rio Passaúna, junto de seus antepassados.

Assim, cada viajante segue seu rumo. No leste, Cleverson e Jhonny são seguidos, e posteriormente acompanhados, pela criatura Cristianomeágol-Gollum que ressurge. Nas colinas do Laranjeiras, terra dos Cavaleiros de Rohan, os três bravos encontram Geovani, sobrinho exilado do Rei Jester, líder dos Rohirrim, cavaleiro habilidoso. Os hobbits Everson e Sérgio acabam por ventura na Floresta de Fangorn, e lá conhecem os Ents Yuri, Tikum, Shiro, Bomber, Jean e Cézinha, essas criaturas são árvores que andam e falam, e sabem bem a hora de entrar numa guerra. Então, além de todas as esperanças, Pedro retorna dos mortos, dessa vez como Pedro o Branco, ele não é mais o andarilho esfarrapado, mas ainda não pode demonstrar todo seu poder.

Dessa forma, Hissam o Branco cai pelas forças de Rohan ao sul, e dos Ents ao norte. O inimigo sofre uma grande baixa, mas continua se reforçando no leste, Cleverson e Jhonny sofrem muitos perigos, mas conseguem escapar até mesmo da aranha Juliana, adentrando Mordor, e se aproximando do fim da jornada.

No oeste, as forças dos homens também estão em ação. Pedro segue para o reino de Gondor, levando consigo Everson, lá encontram um regente corrompido e fraco, Olizandro ainda está abalado pela morte de seu filho mais velho, mas ainda há um irmão vivo, Cristiano, irmão mais novo de Nicolas, baterista e guerreiro, encontra-se no campo de batalha. O outro hobbit, Sérgio, segue para Rohan, onde conhece a valorosa princesa Tia Kah, irmã do bravo Geovani e também sobrinha do rei Jester, que agora se recupera da malícia de Hiderson Wormtongue, e prepara seu povo para a guerra. Os outros três, Heitor, Heitorzinho e Alexandre, tomam o rumo das cavernas subterrâneas, onde pretendem reunir o exército dos reis mortos motoqueiros do QG, liderados pelo Robson.

Então chega o momento da grande batalha nos campos do Parque Cachoeira, aos portões de Gondor. Na torre da cidade, o regente Olizandro tenta atear fogo ao seu filho Cristiano ainda vivo, mas Everson acaba salvando sua vida, porém o regente perece. Na batalha o Rei Jester também cai, mas Tia Kah revela todo seu poder, tendo ido à guerra disfarçada, e sem que ninguém esperasse, com a ajuda do pequeno Sérgio, derrota Erne, o poderoso chefe dos Nazgul, que tem seu grito ouvido pela última vez em Araucária. Geovani também toma parte nessa batalha histórica, encontrando no meio do campo seu grande amigo Heitor, que chega com os reis mortos motoqueiros do QG para dar um fim à batalha.

A guerra no Parque Cachoeira
Em Mordor, Cleverson e Jhonny, acompanhados de Cristianomeágol-Gollum, estão cada vez mais perto de seu destino final, para destruir o anel de poder. Com o fim da batalha em Gondor, os exércitos dos homens, liderados por Heitor, marcham rumo ao Portão Negro. Os feridos ficam se recuperando na cidade, Sérgio, Tia Kah e Cristiano, esses últimos encontram algo a mais em meio a tanta tristeza na guerra.

Enfim, o anel é atirado ao fogo da montanha, Cristianomeágol-Gollum confirma que ainda tomaria parte na história e perece junto ao anel de poder, Rízio, inimigo dos povos, é finalmente derrotado, os exércitos do oeste são vitoriosos, a era dos homens começa.

Heitor volta para Gondor pra recuperar seu trono, passado a ele por Cristiano, último regente, irmão de Nicolas e herdeiro de Olizandro, do norte vem uma última surpresa, a princesa élfica Michelinha, que abdicou da vida eterna de seu povo para poder se casar com Heitor, ela deixa de ser a princesa dos elfos para se tornar a rainha dos homens. Os quatro hobbits se reencontram, e voltam à terra de Guajuvira no norte. Porém a reunião dura pouco tempo, já que juntamente com Lelydriel e os últimos elfos, e Zazá Bolseiro que agora sente a idade, Pedro o Branco e Cleverson Bolseiro passam para o oeste sagrado, guiados pelo barqueiro Mário.

Araucária está livre de seus últimos opressores, Rízio não vive mais, Hissam o Branco pereceu juntamente com Hiderson Wormtongue. A floresta dos Ents, governada por Yuri, não mais sofre com os machados dos noiadinhos. Os Nazgul liderados por Erne já não aterrorizam, Cristianomeágol-Gollum cumpriu seu papel. Os povos novamente são livres, em Rohan, Geovani governa, e tem sua irmã Tia Kah e seu cunhado Cristiano ao seu lado. Heitor é rei dos reinos dos homens e tem sua rainha Michelinha. O rio dos tempos continua, inalterado.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Shitberg - parte 02

No início, a merda estava principalmente presente entre os trópicos, o Canadá, por exemplo, era um país quase a salvo do problema, exceto por uma ou outra corrente merdítima que chegava vez por outra.

Em meados do sexto ano da emerdiação mundial, o problema passou a ser mais global. A população sofria como nunca antes, e imigrava para os países árticos. Porém, agora a bosta estava começando a chegar lá também, havia merda condensada na atmosfera em forma de nuvens, e as correntes de ar as carregavam de um lado pro outro, massas de bosta fria e de bosta quente faziam parte das previsões do tempo nos canais de televisão. 

Nas águas as correntes oceânicas também carregavam a merda como se fossem gigantescas estradas de bosta. Então a corrente do gorfo levou fezes até a Groelândia, e lá imensos icebergs constituídos totalmente de merda começaram a se formar. Coprólogos estudaram o ponto de fusão da merda e verificaram que os icebergs de bosta ficariam cada vez maiores e mais fedorentos.

E foi assim que a nova ameaça surgiu, mais um problema num mundo já afundado em merda: o shitberg. Os shitbergs eram massas colossais de bosta, que se aglutinavam e congelavam, a maior parte de sua constituição física ficava abaixo do nível do mar, sendo assim invisível. 

Shitbergs vagavam pelos oceanos, atingindo latitudes cada vez mais próximas ao equador, pois derretiam com mais dificuldade em relação aos icebergs tradicionais. A temperatura da Terra diminuía, devido à presença de merda na atmosfera condensada em forma de nuvens, que por ser mais densa e de cor mais escura, geralmente marrom, refletia a maior parte dos raios solares de volta ao espaço. 

Assim os shitbergs aumentavam, em tamanho e quantidade, e também em periculosidade, e dominavam uma porção cada vez maior dos mares do planeta. As águas já não eram navegáveis, e barco nenhum viajava, nem mesmo os mais fortes suportavam a terrível ameaça dos shitbergs. 

Até mesmo a aviação ficou comprometida devido à grande presença de merda na atmosfera que dificultava a visibilidade, no nono ano já não se locomovia a grandes distâncias pela Terra. 

No próximo inverno do hemisfério norte, as neves vieram com mais força do que em todo o século anterior, e escurecidas pela bosta, pesteava tudo. Algumas pessoas voltaram a migrar para os trópicos, voltando de onde fugiram outrora, quando a merda começou a dominar as cidades costeiras. 

Depois de dez anos do início de emerdiação mundial, a população humana começava a minguar pela primeira vez na história, eram muitas as doenças e pestes; a produção de alimentos diminuíra assustadoramente; não havia mais transporte, e várias regiões do globo estavam completamente inabitáveis. Grandes desertos de merda cobriam os mapas. 

No décimo terceiro ano, a população mundial já era a mesma que na época da revolução industrial, e perecia. Tudo era merda, e o planeta não se recuperava, pois as pessoas continuavam cagando. Bosta na atmosfera, cocô nos oceanos, fezes nas terras emersas. 

E o planeta esfriava cada vez mais, numa era glacial de proporções bostiais, shitbergs cada vez maiores flutuavam pelos oceanos, que eram cada vez mais parecidos com fossas gigantescas. Os shitbergs invadiam os rios, numa piracema escatológica, congelando as nascentes, e contaminando os lençóis freáticos, não havia mais água livre da bosta no planeta. 

Shitbergs colidiam com as cidades costeiras, que desde a última imigração voltavam a ser habitadas, sendo alguns dos lugares menos frios da Terra, causando destruição e ceifando mais vidas. Aqueles colossos de merda eram visto com muita freqüência até mesmo na costa do Brasil e da África. 

No inverno seguinte foi avistado no Oceano Pacífico o maior shitberg já catalogado pela humanidade, com 1.607 quilômetros de comprimento, e nenhum coprólogo conseguiu calcular o tamanho que ele atingia embaixo da água. Um dia ele não estava mais à deriva, e se tornou fixo, como um novo continente de cocô, e passou a crescer cada vez mais, com mais merda congelando a sua volta, como em ilhas vulcânicas. 

Em pouco tempo, novos continentes de merda surgiram, e alguns se aglutinavam, ficando cada vez maiores, as águas de todo o planeta estavam se congelando em bosta, e havia cada vez menos pessoas para presenciar essa glaciação escatológica. No décimo sétimo ano o Oceano Atlântico inteiro virou uma grande massa fecal, as correntes marítimas deixaram de existir. O mundo se tornava uma merda gelada. No inverno seguinte o último ser humano morreu. 

E depois de tanta coprofilia, tanta escatologia, tanta emerdiação, o planeta Terra se tornou um grande e coeso Shitberg à deriva no espaço.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Peixes

O deputado Luiz Sérgio de Oliveira foi destituído de seu cargo de Ministro da Pesca e Aquicultura nessa quarta-feira de meio de semana. O parlamentar do PT-RJ deve voltar à Câmara dos Deputados para recuperar o posto ao qual foi eleito.

A mudança não tem o mesmo caráter polêmico de outras destituições ministeriais recentes. Isso se dá pelo fato do novo ministro na pasta ser o senador Marcelo Crivella do PRB do Rio de Janeiro.

De acordo com nota oficial da Secretaria de Imprensa da Presidência, a troca tem em vista interesses estruturais, já que a escolha de Crivella passa pelo seu passado como pastor da Igreja Universal. “Temos confiança no trabalho do senador, como representante de Jesus na Terra sabemos que pode repetir o milagre da multiplicação dos peixes”, informa a nota.

Caso esse milagre venha a acontecer o país pode ter um valoroso aumento na produção da piscicultura, já que os pescadores não mais precisariam se preocupar com a piracema.

O ex-ministro Oliveira ainda acrescentou que a habilidade de caminhar sobre as águas do atual ministro será bem mais útil para a pasta que seu bigode estiloso de pescador.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Go Back


Um dia o tempo parou, e então deixou de ser dia, já que dia nada mais é do que uma forma de mensurar o tempo, logo sem tempo sem dia, tudo ficou estático e as coisas deixaram de ser e de acontecer. Ninguém previu aquele momento chegando, pois o tempo nem mesmo começou a passar mais devagar, ele simplesmente parou de uma hora para a outra. Porém as pessoas sentiram aquilo, tinham consciência, sabiam que havia algo de errado, afinal como consequência imediata a Terra parou de girar! Os animais e tudo o mais que vivia também tinham consciência, ainda tinham uma espécie de livre arbítrio, podiam se mover e fazer o que quisessem, mas durante todos os instantes em que o tempo ficou parado todas as coisas animadas que se arriscaram a interagir com algumas determinadas coisas inanimadas, tocando-as ou coisa parecida, simplesmente desapareceram sem deixar vestígios, assim como os objetos interagidos. Explodiram em energia. Encontraram sua antimatéria.

Depois de vários instantes, que ninguém nunca soube dizer se duraram alguns segundos ou uma centena de séculos no que seriam as antigas contagens, o tempo voltou a correr, porém para trás. O tempo estava voltando. Claro que esses antes de parar foram os últimos tempos, afinal se alguém chega até o fim de uma viagem e começa a voltar, os últimos passos de sua viagem foram dados naquele ponto mais distante em que esteve. Teorias borbulhavam, claro que muita gente explodiu, mas alguns dos cientistas que sobreviveram tentavam explicar, era alguma tramoia do universo, taxa crítica de expansão, big crush, fim dos tempos, whatever. A razão da velocidade relativa a qual o tempo estava voltando era a mesma de quando ele ia para a frente, a Terra demorava 23 horas, 56 minutos e aqueles segundos lá para dar um reverse rotation completo.

O que importa é que ninguém queria saber de teorias, queriam explicações. Como previamente informado, as coisas vivas não foram diretamente afetadas, as árvores ainda cresciam e ninguém nunca morreu antes de nascer, mas a vida se tornou algo entre estranhíssima e inviável, afinal as coisas antes feitas se desfaziam, e as coisas antes desfeitas se refaziam. Muitos alimentos precisaram deixar de ser comidos, eram direta ou indiretamente coisas vivas também, ou que pelo menos um dia haviam experimentado a vida, mas ninguém nunca soube explicar porque só alguns explodiam os estômagos alheios. Adaptabilidade? Evolução das espécies?

A medicina não podia fazer muita coisa, nenhum médico se arriscava a bisturizear alguém, pois o objeto poderia derreter-se subitamente em suas mãos e voltar a ser matéria-prima. Nenhuma chapa de X-Ray foi tirada outra vez, pois as ondas faziam aleatoriamente o caminho contrário, em direção à máquina. Claro que ossos quebrados se recompunham, mas à mesma razão que antes, à razão que o corpo vivo conseguia suportar sem pinos derretendo em seu interior. Aliás todos que algum dia tiveram algo handmade substituindo qualquer coisa de natural, ou tornando algo supra natural, sentiram seus corpos queimando e incrementaram as estatísticas. Nada mais se decompôs, os vivos agentes decompositores ainda se alimentavam, mas os corpos mortos se recompunham.

Quando uma coisa viva nascia, e pela primeira vez respirava, sentia um ar mais limpo a cada segundo, as partículas de sujeira e poluição voltavam às chaminés, se refaziam ao fogo que queimava para trás, se refaziam em matéria sólida. Nenhum veículo automotor voltou a funcionar, nem mesmo os movidos a biodiesel, pois o bio do diesel já era tão sintético naqueles últimos tempos que deixava de ser bio. Se algum carro era ligado a energia desvirava fumaça, o combustível desvirava energia e voltava pro tanque, nada rodava.

As culturas se desescreviam, se despintavam, se desesculpiam, se desfilmavam, à mesma razão que eram antes criadas agora se descriavam. Ao princípio foram as contemporâneas, depois as modernistas, romancistas, e assim inversamente proporcionalmente cronologicamente por diante. As pessoas ainda aprendiam, mas o que havia para ser aprendido minguava, alguns séculos antes só sobrou a Byblos para ser lida. Os linguistas se viam envoltos em névoa, como afinal poderiam conjugar seus queridos verbos já tendo acontecido todas as coisas que ainda estavam por acontecer? As cores também se desfaziam, e tudo que em um momento qualquer foi pigmento de sapo voltou a ser pigmento, porém there was no sapo. Nada nunca ressuscitou.

Cacos de vidro de todo o mundo uniam-se novamente no que haviam um dia estado copo, janela, bailarina de vidro, ganso de enfeite e tudo o mais que algum acidente, imprudência ou distração desutilizou. Era um espetáculo ciclópico os cacos alçando vôo para os lugares de onde tinham caído e juntando-se peça a peça. Claro que, por estar revertorizado o tempo, os vidros logo se desfaziam em areia.

A engenharia também sofreu, prédios inteiros deixavam de haver, pareciam corpos sofrendo o que um dia havia sido conhecido por decomposição, que como previamente informado é um ato biológico já não mais existente nas novas configurações cronológicas, primeiro a melanina virava pigmento de sapo, depois o tecido epitelial voltava a ser cimento e água, ao mesmo tempo a camada subcutânea virava argila, os nervos e as veias voltavam ao petróleo que um dia os fizeram plástico, por fim sobrava só o esqueleto, mais resistente, mas que tarde ou cedo voltaria à terra. O verbo morar já não era preocupação linguística.

As calotas polares desderretiam, e as micro coisas vivas que fossem por ventura aprisionadas no processo de recongelamento explodiam em energia derretendo um pouquinho de gelo ao seu redor, que instantaneamente desderretia. E com isso Gaia vivia a mesma era glacial de outrora, tornando as vidas ainda mais difíceis, o que não explodia hipotermava. Quando por fim o último ser humano desapareceu das faces do planeta, não porquê havia a espécie um dia nascido, mas sim porquê estava ela destinada a morrer, qualquer que fosse a direção apontada pela seta do tempo, fechou-se um ciclo, porém o tempo continuou retilíneo uniforme.

O petróleo virava carcaça de dinossauro, a carcaça de dinossauro não virava dinossauro, e com isso se acumulava, juntando-se a todas as outras carcaças, visto que nada mais se decompunha. Por essas épocas também nada mais vivia além de algumas monocotiledôneas e dicotiledôneas resistentes ao tempo e aos tempos. Com efeito a entropia diminuía, nada se criava e nada se perdia, no entanto tudo se transformava com menos frequência. Os continentes voltaram a ser Pangeia, as águas se reaqueceram, a temperatura subiu e os vulcões engoliam lava. As terras emersas se desformavam, logo nem água mais houve, então o planeta rochoso virou stardust, depois o caminho de leite e por fim o universo. E tudo o que havia sido, por pelo menos duas vezes a mesma coisa, nesse instante nada mais era do que Big Bang.

E então o tempo voltou a correr para a frente.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Sobre escrever e a vida que se leva

Acho mesmo que melhoramos o nosso estilo de escrita com o tempo. É interessante olhar aqueles velhos manuscritos da adolescência, e ver como as coisas mudaram. E não só na literatura que se produz, mas na vida como um todo, pois sempre que se escreve, se escreve sobre algo, e em boa parte das vezes sobre algo que se vive.

Essa semana que passou, a última do afamado 2011, comecei a recuperar uma história antiga, 2006 ou o que o valha, sobre uma super heroína. A ideia é reescrever, melhorar, e aumentar, com novos personagens e novas batalhas, e novas vidas pra mesma vida. O resultado tem sido bem produtivo.

Ontem debatíamos as opiniões sobre a virada enquanto estouravam os fogos. E dez minutos depois da meia-noite estávamos num ônibus com um motorista alegre que buzinava pra todo mundo, e uma sidra de vômito. Depois conversamos sobre estratégias de como matar pessoas sem ser pego, e viagem no tempo, e muito mais madrugada a dentro.

Foi um réveillon da depressão. Tem sido uma época assim, não que 2011 tenha sido ruim, longe disso, mas 2012 começou com decepções ainda em 2011, com vários planos que não deram certo. Mas no fim deu tudo certo, e chegamos à conclusão que andar de madrugada em Araucária é ir do posto à farmácia e vice-versa infinitamente.

E é sobre isso que se escreve, sobre a vida que se leva, sobre uma super heroína. Sobre o que se refaz, para tentar melhorar, e aumentar, com novos personagens e novas batalhas; na história antiga, e na própria vida. Viva o primeiro post de 2012.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Épico


Trecho do conto 'épico', de minha autoria; que quem sabe um dia publico inteiro por aqui:


E foi grande, apesar de curta, a história da qual fizeram parte, pois que as grandes histórias não devem ser mais do que breves relatos; e grande não pode ser usado aqui como adjetivo de tamanho, mas sim como epíteto, sinônimo de gloriosa. ‘Amaram’: e essa deve ser a maior de todas as histórias.
Foram eternos. Porém a única lição que alguém pode realmente tirar da vida real é que nem a eternidade dura para sempre quando não se tem alguém para aproveitá-la, e quando nada mais houver, nada do que foi importará, pois o mundo só existe porque existe uma humanidade para presenciar a existência do mundo. Rebeca morreu, como tudo que um dia nasce morrerá, como tudo que um dia respira sufocará, como tudo que um dia pensa inspirará, como tudo que um dia se alimenta alimentará. E não foi nada trágico, catastrófico ou épico, pois a vida é infinitamente mais épica, catastrófica e trágica do que a morte.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Destruição - partes 5 e 6 de 6

Restava o pó, a massa primordial, a origem de tudo o que há de haver. E havia cada vez mais pó. Pois que havia cada vez menos a ser destruído, e as mãos trabalhavam. Faziam o que lhes cabia fazer, não que fossem mãos destruidoras, apenas mãos que destruíam.
Também criavam, pois que a destruição criava pó.
O fogo crescia o caos dominava, as cabeças pendiam a vida minguava. Talos colunas.
Assim faltava comburente. As mãos agiam mais e mais, e menos para agir restava. Mas a destruição crescia e se propagava.
Enfim o fim.

 ***

E assim chegou o fim. Pois que tudo aquilo que há, há um dia de deixar de haver. E todo o construído destruído será, antes ou depois das destruições.
Eram todas as cinzas de um incêndio qualquer em um dia qualquer, sossegados ou não.
Pois que chegou o fim, o momento em que não houve mais a ser destruído, então tudo era pó, tudo era caos, nada mais vivia, agora todos os lados eram sem vida, todas as cabeças pendiam.
E lá estavam talo e coluna.
E lá estavam pó.

domingo, 17 de julho de 2011

Destruição - parte 2 de 6

A cabeça pendia para o lado sem vida, mas a cabeça ainda vivia. Apenas o lado era morto, costuma-se dividir em dois lados, bem e mal entre outros, a destruição conhece vivo e morto, não há qualquer mérito de índole. Dois lados, a cabeça pendia para um deles, o desprovido de vida, mas ela vivia.
E tanto foi que foi assim que começou, o que há de ser a destruição suprema. Quebrados o talo e a coluna pela mesma mão que destruía.
A mão carregava os objetos causadores do caos, pois que caos e destruição são juntos, parceiros de um só propósito. E era uma mão comum, aliás, era um par de mãos, pronto, mas nem tudo assim será plural, pois que não há destruições.
Começou pequeno e belo e simples. Em um dia sossegado, se é que sossegado há de ser adjetivo para um dia qualquer, desses que passam sem deixar rastros, e quando dorme já nem impregna a memória de sonhos.
Mas aquele dia era, e ser há de ser suficiente, sem adjetivações, pois que o dia existiu, e basta.
E sendo aconteceu, aconteceu que as mãos começaram as destruições naquele dia. Ou a destruição naqueles dias. Foi o acontecimento da existência daquele dia.
Porém, a destruição surge com o surgimento, pois que a primeira coisa que surgiu foi instantaneamente destruída para ser substituída pela segunda coisa que surgiu. A destruição é consequência da própria criação.
E a mão que destruía também criava.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Destruição - parte 1 de 6

Quebrou o pequeno talo da frágil flor, arrancou uma pétala, enfiou na boca, mastigou, e engoliu.
Quebrou a gigantesca coluna do Parthenon, arrancou um bloco, triturou, jogou ao chão.
E voltava tudo ao mesmo pó. À mesma massa da qual um dia saiu. E todas as coisas eram iguais, eram feitas dos mesmos materiais. Portanto, tudo tinha a mesma origem e o mesmo destino, ao menos costumava ser assim...
 - Hei, o que você está fazendo?
 - Estou destruindo!
A simplicidade está na beleza, e a beleza está na simplicidade, formando um círculo vicioso bonito e singelo. O pequeno talo e a gigantesca coluna são a mesma coisa, são iguais. Sustentação; e isso é tudo o que importa, a arte de suportar o insuportável, há que se fazer mais forte, cada vez mais forte.
Acontece que aquela mão destruía.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Alucinações Verborrágicas

Eu escrevo. Escrevo muitas coisas: poesias, contos, ensaios, reportagens, etc. E costumo chamar as coisas que escrevo de alucinações verborrágicas, por isso o nome do blog. Não tenho ilusões de escrever bem, de ser um escritor, ou qualquer coisa parecida. Sei que o que eu escrevo é ruim, e não tenho mesmo pretensão que seja bom, gosto desse estilo.

Não sou muito versado em literatura, mas creio pelo menos que eu tenho um estilo próprio na que eu faço, um estilo ruim, mas que faz questão de ser ruim. Minimalismo, adoro minimalismo, odeio ter que explicar as coisas, e não gosto de dar nomes, tempo ou espaço pras histórias. Também acredito que detalhes demais atrapalham uma boa história.

Acontece que vez por outra alguém me pergunta "por que você não escreve um livro?". Acho que o primeiro motivo é que não tenho paciência, odeio projetos incabados, e não acho que eu escreveria um livro em menos de 5 anos. E depois dos primeiros 4 ou 5 meses eu ia querer terminar logo e me livrar da aflição de uma vez, o que prejudicaria muito a qualidade do projeto.

Segundo motivo é que me pergunto por que diabos de motivos deveria eu escrever um livro? Já não basta todo o lixo pretensamente literário que entope nossas bibliotecas? 90% do que se escreve no mundo não serve pra absolutamente porcaria nenhuma. É apenas uma forma de reafirmar nossa suposta superioridade intelectual em relação aos outros animais através da escrita. É tudo lixo! A maioria dos empreendimentos editoriais tem como objetivo apenas inflar o ego do autor, aquela máxima demagoga que todo homem deve plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro.

É claro que quero deixar algo pra posteridade, querendo ou não um livro é uma forma de continuar vivo depois de morto, e sobreviver aos séculos. Me preocupo muito com isso de passar por essa vida e não deixar obra nenhuma, nada de que as pessoas poderão falar "ele fez isso". Porém, não quero que seja qualquer coisa, precisa ter qualidade, precisa ser obra-prima. Não um artigo editorial egocêntrico inútil.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Mas ninguém sabia o que fazer
Em situações constrangedoras como aquela
Mas ninguém sabia o que dizer
Ele sorria e procurava a mão dela

Ela sorriu e disse: amor, seu cheiro é bom
Ele parou o que fazia e olhou pra ela
Alguns amigos que conheciam um pouco os dois
Não entenderam e nem mesmo deram trela

E não sabiam muito bem o que fazer
Ambos sorriam um sorriso amarelo
Mas se entreolhavam com ternura e vontade
E a amizade parecia mais do que era

Eles vagavam pela noite de mãos dadas
Ele puxou para a cabeça a toca velha
Ela lhe disse: fica bem vestido assim
Ele parou o que fazia e olhou pra ela

Mas o amor é apenas força de expressão
Nada que faça da sua vida algo mais bela
Antes de tudo houve sempre a amizade
Que instigava a relação a ser eterna

E eles tinham o necessário para ser
Pois quando juntos o resto estava à paralela
A amizade evoluía e se recriava
O que rolava entre os dois magia era

Ele falava: que é só por ti vale viver
Ela dizia: sem sua vida a minha é vaga
A amizade pode vir a ser amor
E ambos viviam um pelo outro, ela por ele, ele por ela

domingo, 12 de junho de 2011

Charles Bukowski (ou Henry Chinaski, depende do ponto de vista) dizia que sempre haverá uma mulher pronta pra te salvar de outra, e que no exato momento em que ela te salva ela está pronta pra te destruir.
E eu diria ainda mais: a melhor cura para qualquer decepção amorosa é uma nova e destruídora decepção amorosa.
E é isso, tempo que vai, vida que segue, cada vez mais morta.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

...

Em seu universo não existe o presente. Gostaria de ter nascido no passado, especificamente em 1955, para poder curtir os anos 70, o melhor de todos, segundo ele, desde aspectos culturais até políticos. E ao mesmo tempo, pensa muito no futuro. O tempo o intriga, o deixa inseguro. Tem medo que o tempo passe rápido demais, e de não deixar um legado, não algo material, mas um ato, um grande feito. Assim, poderia ser eterno.

Jhonny Maylon de Castro, paranaense, 23 anos. É do tipo comum entre os rapazes da sua idade, altura e peso. Pele bem clara, quase pálida. Mas tem um “ar enigmático”, transpira intelectualidade. Com seus cabelos revoltados, castanhos e cacheados. Os olhos são da mesma cor que o cabelo. Olhar perdido por trás das lentes de seus óculos. Sorriso fácil.

Ele tentou definir-se como hipócrita, prepotente e arrogante. Talvez para criar uma barreira durante a entrevista. Mas essa barreira era de gelo e foi logo derretida, pois entre um pergunta e outra não demonstrou essas características. Foi apenas um pouco debochado e irônico em alguns momentos. Mas sempre sincero e descontraído. Sentado despojado em sua cadeira na sala de aula.

Jonas, como alguns amigos traduzem seu nome, trabalha em um cemitério, e cursa Comunicação Social com habilitação em Jornalismo na PUC-PR.

Como todo bom brasileiro é amante do futebol. Seu time do coração é o Paraná Clube. Ele também tem paixões europeias, seus sonhos são conhecer a cidade de Viena na Áustria, e morar na Inglaterra. A banda alemã Scorpions ocupa o primeiro lugar em sua lista.

Jhonny adora todo tipo de arte, especialmente o cinema e literatura. Seu escritor favorito é Herbert George Wells, famoso por seus livros de ficção cientifica. Nas poucas horas livres que Jhonny possui, inspira-se em Herbert, e gosta de escrever, mais sobre coisas, que sobre pessoas. “As pessoas são muito complicadas. É difícil transformar os sentimentos em palavras. É como o amor, impossível defini-lo, é abstrato”, conta o estudante, em tom de voz suave.

Ainda sobre pessoas, ele diz que a maioria são demagogas e insignificantes. E em relação ao universo a humanidade é a coisa mais insignificante de todos.

É realmente um lugar intrigante, pouco habitado e paralelo, o mundo de Jhonny.



Eu, por ela (nada mais justo que o primeiro texto do meu blog não seja meu).