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domingo, 16 de outubro de 2011

Jovem se suicida no banho

O jovem Sebastião da Silva foi encontrado morto no banheiro de sua casa na tarde de ontem. Os policiais que investigam o caso informam que tudo indica um caso de suicídio.
De acordo com sua mãe, Sebastiana da Silva, Sebastião entrou no banheiro para tomar banho as duas da tarde. Preocupada com a demora a mãe decidiu arrombar a porta do banheiro as cinco horas da tarde para encontrar seu filho afogado no chão do banheiro.
A polícia foi acionada e agiu rapidamente, mas não foi capaz de ressuscitar o jovem cadáver, até porque isso não é jurisdição da polícia.
Sebastionor Silveira, o legista que agiu no caso, afirma que a morte foi um suicídio. "Sebastião se afogou com a água do chuveiro, ele abriu a boca e ficou olhando pra cima feito um idiota".
O enterro será amanhã no Cemitério Central. Estará chovendo.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Funk da Exumação


Eu vou abrir o seu jazigo
Eu vou tirar o seu caixão
Dance agora comigo
No funk da exumação

Se o corpo já ta decomposto
Dá pra tirar tudo os osso
Bota mais um na gaveta
E nem vem fazer careta
Tá virando condomínio
E é tudo do meu domínio

Vai tirando os ossinho
Colocando no saquinho
E deixando de ladinho
Pra enfiar um caixãozinho

Eu vou abrir o seu jazigo
Eu vou tirar o seu caixão
Dance agora comigo
No funk da exumação

Vai coveiro! Vai coveiro!
Vai funerária! Vai funerária!

Esse nosso cemitério
É bem loko é um mistério
Mas os corpo que aqui vem
Nunca volta pra ninguém
Fica muito bem guardado
Até quando for exumado

Vai tirando os ossinho
Colocando no saquinho
E deixando de ladinho
Pra enfiar um caixãozinho

Eu vou abrir o seu jazigo
Eu vou tirar o seu caixão
Dance agora comigo
No funk da exumação

Vai coveiro! Vai coveiro!
Vai funerária! Vai funerária!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Pesquisa aponta que cachorros preferem despachos sem farofa


Em pesquisa realizada com mais de 3000 cães de várias regiões do Brasil, o Ibope concluiu que a preferência dos animais é pelos despachos que não têm farofa. Cerca de 83% dos animais prefere as macumbas que têm frango no cardápio, mas sem farofa. “Acredito que a farofa prejudique a mastigação dos cachorros” explica o especialista João da Silva.

Despachos de macumba deixados nos cemitérios representam 59% de todos os trabalhos realizados no país, e como mortuários sempre possuem seus cães de estimação, a ênfase da pesquisa foi nos animais de cemitérios comendo as macumbas deixadas nesses locais. No entanto, cachorros de rua também foram ouvidos. “Macumbas nas encruzilhadas não atraem tanto a atenção dos bichos, as de terrenos baldios são mais valorizadas” comenta Silva.

Apesar das divergências de preferência entre os locais de coleta dos trabalhos, a imensa maioria dos cães não come se houver farofa na macumba. “Au au” afirma Piludo, cãozinho do Cemitério Independência. Quando o despacho é feito com frango, ou até mesmo cabeça de bode, os animais se sentem mais a vontade para selecionar os melhores pedaços, e deixar de lado a farofa, mesmo que essa seja com bacon.

O Ibope deve divulgar em breve uma nova pesquisa realizada para descobrir a preferência dos gatos entre as bebidas utilizadas em macumbas.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Crônicas do Cemitério

Gosto de trabalhar no cemitério.
A morte nunca foi um tabu para mim, sempre soube que é esse o destino de todas as coisas viventes, e que toda criatura ao nascer tem como única perspectiva morrer. O que acontece nesse intermédio é lucro.

Quando vim trabalhar aqui algumas pessoas comentaram que "será o lugar perfeito pra você trabalhar" e "tem tudo a ver com você". Talvez a minha morbidez não seja tão absurda, ela é só natural, não vejo a morte como algo tão triste assim, as vezes ela até é uma coisa boa. O problema é que as pessoas geralmente não têm uma perspectiva tão aberta, elas não querem morrer, não querem que as pessoas que gostam morram, e por isso não se preparam para o inevitável, e quando acontece, a dor da perda se torna muito maior do que a vida que a pessoa que está partindo viveu.

Nas últimas semanas têm sido demolidos uns túmulos antigos, de 1988, os primeiros do cemitério, que já nem têm dono mais, talvez até os donos originais já estejam dentro deles. Acontece que a maioria dos sepultados nesses túmulos deteriorados e corroídos pelo tempo são crianças, recém-nascidos, que sequer chegaram a três, quatro dias de vida, muitos saíram mortos de seus respectivos úteros.

Nasci em 1988. É estranho ver pessoas que teriam hoje a minha idade e nem chegaram a viver, poderíamos ser amigos, companheiros de farra, talvez uma namorada, idealistas, quem sabe estaria um deles aqui comigo nesse exato momento.

Sempre fui a favor da mortalidade infantil, por mais absurdo e desumano que pareça, mas fato é que eu sou meio desumano mesmo. Mortalidade infantil é controle populacional, e não vou entrar aqui em detalhes dessa minha opinião. Mas ver a situação por esse ângulo diferente me faz pensar, titubear, não a ponto de deixar consternado. É que pra essas crianças o tempo nunca passou, mesmo hoje elas ainda têm quatro dias, e são lembradas por familiares com os rostinhos que saíram do corpo da mãe, se é que são lembradas. Essas crianças não têm amigos, namorados(as), ideais, e nem estão aqui nesse momento, porque o momento delas foi outro.

E é estranho pensar nisso...