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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Tratado sobre Plástico Bolha

Adoro camisetas. Tenho mais de quarenta, e minha mais nova aquisição foi uma com a cara do Salvador Dalí... Isso de ser melhor do que alguma coisa nada mais é do que relatividade também. Tudo é relatividade, mas como algumas coisas são só relatividade, ser melhor do que alguém nada mais é.

E com isso, há dias buscava escrever, a freneticidade de dias como esses, merecedores de sorrisos, delimita a inspiração. O que quer que ela seja. Fica toda canalizada em prol do que houve, e convenhamos que o que houve foi praticamente inadjetivável.

Pois que a inspiração não deve ter hora pra surgir, mas com frequência vem dos ônibus, e com um teste marcado, quase deseja-se não passar. A sorte é uma muleta dos incapazes, portanto não a desejem. Não sei se sou melhor do que plástico bolha. Não sei se sou a ralé da elite ou a elite da ralé.

Mas naquela camiseta, Dalí me diz que sou as drogas, e que a inspiração talvez nunca precise ser sintética. Mas que ela deve vir de algum lugar, e elogiada ou não, canalizada em prol do que for, deve ser sempre inadjetivável. E melhor do que nada, tanto quanto melhor do que tudo. Melhor e pior do que plástico bolha.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Desastres

Numa das brincadeiras favoritas da minha infância, eu, minha irmã, e vizinhos, fingíamos sermos sobreviventes de um desastre aéreo, acordávamos perdidos em alguma selva cercados dos destroços do acidente, e precisávamos nos virar para voltar à civilização. Como cenário, juntávamos muito lixo em volta de nós, que representavam os destroços da queda. Sempre fui adepto ao caos.

Hoje, construo e destruo na mesma proporção. O que eu crio também é caos, tentando organizar o inorganizável. Mas somos todos sobreviventes de todos os desastres, viver é uma sucessão de contínuos sobreviveres.

Eventos como esses são memoráveis, praticamente épicos, convites inesperados e orgulhantes. Continuo criando neologismos pra definir o indefinível. E como são alucinantes essas viagens. Pois que tudo o que não é esperado tem a vantagem de ser surpreendente, e ser surpreendente é sempre bom, mesmo que não seja.

A gente busca criatividade, a gente busca selvageria, a gente busca o diferente, e acha em tudo um tudo igual, mas cada vez que algo é diferente e surpreendente e indefinível, faz com que boa parte do não valha a pena e seja um sim. Por isso mesmo, a gente continua buscando.

No fim, todas as coisas que fazemos são juntar destroços à nossa volta, e tentar sobreviver a um desastre. Festas são um desastre. Eventos são desastres. Organizar o inorganizável é criar desastres. E sobreviver por si só é o maior dos desastres.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Yin Yang

O bem e o mal existem. Mas não é assim tão simples separar um do outro, eles caminham juntos, e absolutamente tudo tem um pouco (ou muito) dos dois, e o equilíbrio entre essas duas forças é o que podemos tentar alcançar.

Falemos de um fim de semana específico: numa sexta-feira bastante interessante, com um jornal que sobra de tão bom que é. No sábado um carro destruído, mas apenas uma mão machucada, equilíbrio. Como House disse: quase morrer não muda nada, morrer muda tudo. Que continuem morrendo os carros se continuarmos apenas nas mãos machucadas.

O URRA! 9 foi ainda melhor do que esperávamos, muitas pessoas, muita diversão, muitas saudades assassinadas, parceiragem na organização, shows memoráveis, e o equilíbrio que buscamos há 7 anos entre rock n'roll e intervenções cênicas e poéticas. Descobri (apesar de já saber) que o mal de se organizar um evento é não ver ele pronto, você o assiste do backstage, da bilheteria, da mesa de som, tudo o que você não é é plateia. E que abertura foi aquela? Fantástica. Mas fiquei devendo uma poesia, faltou musa.

Domingo a noite acho que a mesa virou, Yin Yang desequilibrou, foram duas horas de ___insira um eufemismo___, mas controlamos tudo, no fim acho que vai tudo melhorar, as vezes explosões são necessárias. O importante nessa hora é contar com a brodagem, os amigos nunca abandonam, nunca, e têm pessoas que sabem que podem contar comigo e com outros, logo a gente sai pra tomar um suco e jogar conversa fora.

Na segunda o dia de voltar à rotina, ao fim da tarde de preocupações e caça a informações, uma nova preocupação, e contar com a little help from my friends, o Pedro Lauro do post anterior que me espere mais um dia. Xin Xiang (numa piada mais interna que intestino), e a arte de rir das catástrofes, as vezes penso que sou um hobbit pela descrição do Gandalf. Gastei 430 reais numa porta, sem contar o resto dos prejuízos, mas esses esperamos que o tal seguro cubra, mais triste é ouvir "a Paula Fernandes ficava tão grande na tela".

Quem diz que agosto é mês do desgosto não sobreviveu até setembro. Mas logo tem Blind, e outras coisas, e ainda esse mês entro num avião. Que o Yin Yang equilibra é natural, a vida é feita de extremos, num extremo você vive no outro você morre. O segredo é encontrar o equilíbrio, e saber perceber o bem e o mal em cada detalhe.