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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Absolutamente Glorioso

Lágrimas são apenas lágrimas. Não importa qual seja o motivo pelo qual sejam derramadas. Apenas uma glândula cujo intuito de ajudar no bom funcionamento dos olhos acabou sendo deixado um pouco de lado ao longo dos anos em que a humanidade, darwinisticamente, evoluiu. Adaptou-se à necessidade de ser a única criatura que chora para demonstrar os sentimentos. Sejam eles bons ou ruins. Ou bons e ruins ao mesmo tempo.

Dona Euthália em uma de suas últimas fotos
A glória e a não-glória caminham lado a lado, com apenas dois dias de diferença. Com muito menos que isso de diferença, com uma tênue linha, que acaba se dispersando e se juntado uma à outra, transformando-se ambas em uma coisa só.

Uma nota 10 declarada com fervor. A justa comemoração por um trabalho realizado ao longo de quatro longos, porém curtos, anos. Uma vida nota 10 declarada encerrada. A justa, porém nunca suficiente, homenagem a uma história construída ao longo de 86 belos, e gloriosos, anos. Dos quais, 64 vividos em um matrimônio progenitor de todo um clã que já contabiliza cerca de 50 descendentes, sem perder as contas. De mãe venerável, de esposa dedicada, de avó adorável.

Equipe Gemada na Estrada e a aprovação na banca
Assim mesmo, podemos declarar duas vitórias, pois que uma vida absolutamente gloriosa como essa nunca pode ser interrompida por qualquer morte, ela continua. E ela continua no seio de todos aqueles que ainda continuam, que lembrarão dessa vida e de tudo que ela trouxe. De todas as glórias, de todas as notas 10. É preferível celebrar a vida vivida do que lamentar a morte sofrida.

O curso de Jornalismo se encerra de maneira gloriosa, com todas as lágrimas de celebração a que se tem direito por uma conquista como essa. Dona Euthália Trindade de Ornellas nos deixa, matriarca gloriosa. Com todas as lágrimas de lamentação a que se tem direito, mas sabendo que por uma vida tão gloriosa, merece-se também uma celebração.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Retrospectiva

Nenhum ano que começa com sidra com gosto de vômito dentro do ônibus dirigido por um motorista que buzinava para todas as pessoas na rua, nenhum ano que começa assim pode ser ruim.

E agora é aquela época de todas as retrospectivas, acho essa a maior prova de que o homem ainda deveria estar fazendo fogo batendo pedras. Não dá pra acreditar no potencial de uma criatura que precisa de datas estigmatizadas pra fazer acontecer alguma mudança em suas rôtas vidas. Somos a espécie do “ano que vem eu faço” “ano novo, vida nova”. E as coisas são todas as mesmas tanto em 31 de dezembro quanto em 01 de janeiro, apenas mais um nascer do sol.

Ano de dias épicos, dias de ano épico. Uma época épica. Seriam poucas as linhas para descrever o que de tão intenso existiu, e que ainda existe. Pois que tudo o que vivemos continua lívido enquanto existir lembranças. E a memória é a própria forma de fazer as coisas perdurarem. Além de sua principal função, que é evitar que levemos mais pedradas.

Então, podemos até dizer que retrospectivas são necessárias, para não deixar com que as coisas que existiram deixem de existir. É como escrever uma frase num caderno e guardá-lo em algum canto remoto. Ele um dia será localizado, e aquela frase esquecida deve voltar à vida que um dia teve. E as pessoas precisam realmente botar vírgulas em suas orações para fazer as frases terminarem. Virada de ano é o mais universal dos checkpoints.

É bom observar as fotos, a memória virtual, pois que hoje em dia nem físicas mais as fotos são. Apenas meras representações pictográficas de um momento, digitalizadas em uma espécie de santuário das coisas que não existem de verdade. É bi-virtual. Memória da memória. O que é mais real? A foto, ou momento que ela representa? Ou seria ainda a memória viva daquele momento, e daquela foto? Talvez todos juntos não cheguem a formar uma realidade.

Foram quatro canecos de chopp ganhos; um comboio pra Araucária; piscina de madrugada; danças germânicas de madrugada; um livro; pré-carnavais; amigo punk; a morte e seus amigos; um prêmio estadual; os dois melhores shows com dois dias de diferença; umas maratonas; um videoclipe finalizado porém não concluído; um reset; cama elástica na chuva; sonhos e surrealismo; muito reconhecimento; uma ilha inteira; o Mato Grosso inteiro; madrugadas inteiras; vidas inteiras; e tanto quanto mais eu possa ter esquecido, pois que nem toda memória é assim tão estimulável.

Enfim, no fim, apenas do dia, do ano, ou o que quer que seja. Para que comece de novo, tudo igual, mas tudo novo, com essas representações tão necessárias quanto dispensáveis. Para que ano que vem seja tudo igual, mas tudo diferente. Pra melhor.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Férias

Então chegou a hora de relativizar as férias, e eu odeio férias. Aclamada como a época de descanso, para que se desestressem as pessoas de suas obrigações diárias. O problema é que preciso das minhas obrigações diárias pra continuar me sentindo vivo. Não sair de casa é quase como respirar por aparelhos.

No sábado trabalhei por 16 horas seguidas. Claro que teve o intervalo pra uma viagem de ônibus e uma ou outra cerveja, mas isso não diminuiu a impressão do pique. Assim, sou workaholic, não porque viva em função do trabalho, mas sim porque prefiro o fazer ao não fazer. Como disse em outra oportunidade, sempre preferi o sim ao não.

Depois de tantos experimentos sociais a gente começa a antecipar o comportamento da coletividade e de algumas individualidades, e há que se informar que a calma e tranquilidade são em função do fato de que nada do que houve surpreende, como se ninguém soubesse. Mas as vezes ainda precisamos fazer alguns testes, e já que palavra proferida não volta atrás, há que se magoar alguns corações quando se sabe demais.

Revisitam-se os assuntos tratados, e cada olhar distante é uma chama ainda viva, ou apenas uma ironia guardada. E foram tantos encontros e desencontros e uma figura de linguagem já usada. Tantos e todos tontos. Mas o encontro protelado não surtiu efeito. Nenhum deles, encontro ou efeito.

Tenho escrito pouco, duas publicações esse mês, época de pré-ferias é também época de procrastinação, e quando o tempo é pouco faz-se, se o tempo é muito adia-se, pois que tempo sempre há, a diferença é o que cada um faz com ele. Por isso, hoje começo, já que tenho um perfil a concluir, um conto a postar, um livro a publicar, e as reticências para colocar nesse texto, pois que ele não tem fim, até que acabem as férias...

sábado, 21 de janeiro de 2012

Eu tenho uma teoria!

Eu tenho uma teoria! Tenho teorias pra tudo, gosto de explicar e desvendar o mundo da minha maneira, e com frequência divago por horas em teorias que acabo não escrevendo e/ou não concretizando.

Gosto também de divagar coletivamente, com o Pedro por exemplo (o cara da boina que não tem boina), criamos juntos a teoria do Quarto Branco há tantos anos, e ela quase se tornou real. Ultimamente meu grande parceiro da teorética tem sido o Cleverson (http://domquixotearirsozinho.wordpress.com/), recentemente 'criamos' juntos a teoria do Conhecimento Cíclico e a do Isolamento Progressivo, extensas demais pro momento.

Agora temos trabalhado numa nova teoria sobre a relação das pessoas com a faculdade. Ao deixar o ensino médio, algumas pessoas não levam consigo aquelas que chamamos 'amizades de colégio', são as pessoas que não possuem amigos fora da escola. Essa situação segue na faculdade, tiramos a conclusão que a maioria das pessoas que ingressa em um curso superior não tem amigos fora da faculdade, por esse motivo se apoia e se apega muito mais aos novos amigos que conhece na universidade.

E esse fenômeno não se observa somente no quesito amizades. Para muitos, a faculdade é uma válvula de escape em que as pessoas ingressam não para estudar, mas apenas para socializar. E é lá que elas aprendem a beber, fazer orgia e fumar maconha, porque acham que isso é necessário e parte integrante do curso, como uma disciplina extra.

Mais do que isso, as pessoas têm o costume de se vangloriar disso fora da faculdade como se fosse mérito, porém não praticar isso fora da faculdade, pois aquele é que é o local específico para tal 'liberdade'. E entendemos que precisam disso do mesmo modo como se precisassem respirar, porque quando se formarem ficarão sem ar.